sábado, 24 de maio de 2014

LUZIA E EU




Luzia é um busto feito sem pretensões artísticas.
É um objeto científico. 
Entretanto, se pensarmos que as especulações da ciência advém da mesma fonte de uma Monalisa, por exemplo, fica menos surpreendente sentir aquela sensação de perplexidade que, dizem, "somente a arte pode proporcionar". 
Luzia, o busto, independentemente de qualquer grande descoberta científica, me leva à uma ancestralidade tão remota que já virou fantástica, mítica. É uma Deusa. 
Assim, os povos antigos ("primitivo" acho pejorativo) lidavam com seus ancestrais, como divindades. 
E Luzia me apareceu num sonho, não diretamente, mas de forma enfática: eu havia esculpido um busto em madeira preta e explicava a alguém que aquele busto era inspirado no de Luzia e então no meu imaginário, naquele momento do sonho, aprecia a imagem dela. 
Realmente era uma imagem que se encontrava num nível profundo do meu imaginário, pois ela apareceu como uma imaginação dentro de um sonho. 
E, veja só, o crânio de Luzia foi encontrado na América e não na África, como pode-se supor. O nome foi dado pelo cientista que o descobriu e foi inspirado em Lucy, fóssil de Australopithecus afarensis de 3,2 milhões de anos, descoberto em 1974 na Etiópia. 
Luzia, é, digamos, mais jovem. Teria aproximadamente 14 mil anos e sua existência fundamenta a hipótese de que antes dos mongoloides, povos chamados "aborígenes americanos" teriam chegado por aqui vindos pelo estreito de Bering. 
A parte louca é que isso tudo tem a ver comigo. Está presente em meu imaginário e por vezes se manifesta. 
Eu, como pesquisadora e como artista, acho é bom a ciência estar mais próxima da arte do que comumente se imagina.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

fotografias de uma estética


Essa fotografia foi feita em janeiro de 2010, bem antes do surto "selfie". Ela propõe um engolimento pelo enquadramento. É a Mamusca, uma realidade dentro da outra. É um auto-retrato que revela um mergulho em várias camadas até chegar no centro-círculo donde emana tudo.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

ULTRAÉDEN - O INÍCIO


O Nada é o terreno onde eclode violentamente a Árvore Existencial. Ela é o início da construção de um mundo chamado Ultraéden.

A partir de pesquisas no campo do imaginário e da psicologia profunda, dialogando com os escritos de  autores como Gilbert Durand, Bachelard e Gustav Jung, o espetáculo encenado pela Neopardas Cia. de Artes, estreia com uma roupagem híbrida que vai da performance ao experimento científico.

Trata-se da prática de um sistema de mapeamento do imaginário, o Sistema Ida, desenvolvido por Thiago Magnos, diretor e integrante da cia. Cada cena foi construída a partir de incursões reais no imaginário de cada dançarino que geraram mapas de imagens que são traduzidas em movimento e em estética.