Luzia
é um busto feito sem pretensões artísticas.
É
um objeto científico.
Entretanto, se pensarmos que as especulações
da ciência advém da mesma fonte de uma Monalisa, por exemplo, fica
menos surpreendente sentir aquela sensação de perplexidade que,
dizem, "somente a arte pode proporcionar".
Luzia, o busto,
independentemente de qualquer grande descoberta científica, me leva
à uma ancestralidade tão remota que já virou fantástica, mítica.
É uma Deusa.
Assim, os povos antigos ("primitivo" acho
pejorativo) lidavam com seus ancestrais, como divindades.
E Luzia me
apareceu num sonho, não diretamente, mas de forma enfática: eu
havia esculpido um busto em madeira preta e explicava a alguém que
aquele busto era inspirado no de Luzia e então no meu imaginário,
naquele momento do sonho, aprecia a imagem dela.
Realmente era uma
imagem que se encontrava num nível profundo do meu imaginário, pois
ela apareceu como uma imaginação dentro de um sonho.
E, veja só, o
crânio de Luzia foi encontrado na América e não na África, como
pode-se supor. O nome foi dado pelo cientista que o descobriu e foi
inspirado em Lucy, fóssil de Australopithecus
afarensis de
3,2 milhões de anos, descoberto em 1974 na Etiópia.
Luzia, é,
digamos, mais jovem. Teria aproximadamente 14 mil anos e sua
existência fundamenta a hipótese de que antes dos mongoloides, povos
chamados "aborígenes americanos" teriam chegado por aqui
vindos pelo estreito de Bering.
A parte louca é que isso tudo tem a
ver comigo. Está presente em meu imaginário e por vezes se
manifesta.
Eu, como pesquisadora e como artista, acho é bom a
ciência estar mais próxima da arte do que comumente se imagina.

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